A pirataria como seleção natural.

A pirataria é uma fonte de pesquisas interessante, ou melhor, uma fonte de mecanismos de pesquisa interessante.

 

A pirataria só se interessa por produtos realmente interessantes e úteis, porque, na verdade, o pirata é um comerciante: o objetivo dele é vender para poder lucrar. Simples e mortal para as empresas que investem milhões para fazer um produto.

 

Assim, hoje em dia, a pirataria investe contra o potencial criativo das empresas, criando mais riscos para um empreendimento, que não vai vender pelos meio oficiais tanto quanto o desenvolvedor gostaria.

 

Há um esforço maior para produzir material **realmente** popular.

 

E riscos tornam o desenvolvimento muito mais caro.

Um desenvolvimento caro vai ser mais cedo ou mais tarde, repassado para os consumidores que vão preferir o produto pirata por ser mais barato.

 

E o ciclo retorna ao começo de novo.

 

O mais interessante é que quanto mais o desenvolvedor for feliz no seu projeto, considerando a popularidade do mesmo, maior a pirataria dos seus produtos.

 

É uma via de mão dupla: você perde para pirataria seus lucros por ser popular, mas graças a própria pirataria acaba sendo mais popular ainda.

 

Na via inversa, vê-se um trabalho desenvolvido sem popularidade, não ser de interesse para os piratas. Tal projeto é fadado ao fracasso, porque sem popularidade, o trabalho jamais vai ganhar notoriedade e vai passar desapercebido.

 

Combater a pirataria é como combater a própria humanidade, porque desde os primórdios, os conhecimentos sempre foram passados verbalmente de uma pessoa para outra. O aprendizado nunca teve preço.

 

A cada momento estamos aprendendo copiando os outros.

Nossas crianças são os melhores exemplos disso: Elas são “piratas” de comportamento. Do meu e do seu comportamento. E nós achamos isso lindo.

 

Agora, uma ficção legal que é a lei de direitos autorais, vem para dizer que uma idéia é desse ou daquele. Usar (imitar) determinado comportamento teria um preço.

 

Tal objetivo da lei de direitos autorais vai de encontro com a natureza humana. Ela está equivocada e nunca vai cumprir seus objetivos, por mais que o controle do Estado seja perfeito.

 

Nós somos seres que, por sua natureza, copiamos o próximo como meio de sobrevivência.

 

Um modelo mais “humano” seria a produção de um material único, que não pode ser copiado ou imitado.

 

Encontramos aqui, a “Meca” de todos os desenvolvedores: Um produto que não aceita imitações pela sua própria natureza.

 

Não gostaria de citar alguns produtos desse tipo aqui, mas eu não vou resistir: Tente imitar a “Coca-Cola”, por exemplo. Tente imitar a “Ferrari”, ou a voz “Elvis Presley”. Você pode discutir comigo, onde que Elvis é um produto. Ele não é um produto, mas a “Voz” dele é um produto.

 

Portanto, se existe alguém pirateando é porque o produto não está perfeito ainda, necessita de algum tipo de aperfeiçoamento. Ele precisa encontrar sua Meca.

 

Uma forma paliativa de resolver essa pendenga com os piratas seria obviamente uma política de adequação do preço do produto com o mercado a que ele se destina.

 

Um produto popular e caro, certamente vai ser alvo dos piratas. Como não podemos fazer um produto deixar de ser “popular” podemos fazer com que ele deixe de ser “caro”. Gostaria de salientar que a política de preços dos produtos deveria ser absolutamente regional.

O fato de ser “caro” ou ser vendido por um preço justo é uma característica puramente regional.

 

Para facilitar o entendimento, vamos propor um exemplo:

Tendo em vista a internet e tendo em vista, por exemplo, a venda de mp3 pela rede, seria como um usuário proveniente de determinada região do país pagasse menos (ou teria um bom desconto) por uma determinada música que um consumidor de outra região.

Obviamente, esse sistema não seria público e a pesquisa de mercado que alimenta todo o mecanismo seria altamente confidencial.

 

É obvio que essa é uma solução paliativa. O modelo de venda de música está em fase de adaptação a nova era da internet. Logo, alguém vai achar uma solução na qual “não existem imitações”.

 

Outra solução paliativa seria convencer o consumidor e expor todos os benefícios de suportar a cadeia produtiva.

 

Assim, aqueles comerciais sobre pirataria que “colabora com o crime organizado” estão estupidamente enganados em sua essência: colocar um trabalhador, pai de família, sendo demitido de uma empresa ligada ao áudio pelo fracasso na venda de CDs teria um impacto muito mais realístico e puramente humano: o instinto de preservação.

 

Comprando um CD pirata, você estaria demitindo um pai de família.

 

Reitero que essa é uma solução paliativa, pois por tudo o que eu já disse, que o objetivo do desenvolvedor é produzir um produto único, que não aceite, na essência, imitações.

 

Você quer dizer, Dr. Leandro, que o mp3 não é um formato definitivo?

 

Exatamente. O formato mp3 não serve como modelo de vendas porque ele não é “único”: ele é facilmente “copiável” e “pirateável”.

 

O formato de disco de vinil,por exemplo, é altamente “único”, jamais “copiável”. Um vinil bem gravado vai produzir um áudio mais puro. Isso é um fato que pirata nenhum no mundo vai conseguir copiar a um custo razoável. Simplesmente não vale a pena, financeiramente.

 

A indústria fonográfica, nos dias atuais, tem um desafio arrebatador: produzir um formato que não aceite imitações e mais: que esse formato seja popular o suficiente.

 

Como advogado e estudioso das leis afirmo que a lei de direito autoral deveria proteger aquela propriedade que não aceite imitações, unicamente. Proteger aquilo que é imitável, é da essência humana, portanto, não pode ser protegido por leis. A lei da sobrevivência é mais antiga e está nas nossas mentes há muito mais tempo.

 

Isso é um pouco paradoxal, porque um produto que na essência não pode ser copiado jamais vai ser alvo de pirataria. Assim, a própria essência da lei estaria equivocada.

Esse é o grande ponto que eu queria provar com esse artigo: a lei de direitos autorais está equivocada, quando tenta proteger produtos que ainda estão em fase de evolução, ou seja, não estão terminados ainda.

 

Assim, estamos chegando a uma conclusão interessante e chegamos a uma 3ª característica do produto ideal:

Ele deve ser popular;

Ele deve ter um preço justo (lembra do preço ser regional?);

Ele deve depender do desenvolvedor para existir (trata-se de uma das formas do produto ser “único”).

 

Isso mesmo. Essa é a característica essencial.

Vamos pensar nos nossos exemplos acima: O consumidor da Coca-cola, depende da existência da empresa para o produto existir de fato. O mesmo ocorre com a Ferrari e com o Elvis Presley.

 

Eis o erro do formato mp3: é um formato que desliga o produtor/desenvolvedor do consumidor final. É aí que a pirataria entra.

 

 

Vamos tomar outro exemplo: Não vale a pena ter produtos “Microsoft” piratas. Eles são facilmente encontrados, porque a empresa não liga para a pirataria e eles estão fazendo isso corretamente (a famosa reserva de mercado).

O problema vai mais além: O produto da Microsoft depende da empresa para existir. Logo possuir um produto Microsoft pirata é ruim, porque se ele necessitar de atualizações vai ter que se conectar com a empresa, que certamente vai descobrir se tratar de uma cópia pirata e vai impedir a atualização – o que torna o próprio produto inviável para a utilização.

 

A Microsoft está conseguindo sucesso num meio onde a cópia está ao alcance de todos, mais precisamente ao alcance dos dedos do usuário.

A empresa conseguiu  desestimular a prática de possuir cópias ilegais unicamente pelo motivo de que, sem atualizações, essas cópias ilegais estarão sujeitas a ataques de vírus, hackers etc.

A Microsoft não é uma empresa de software, pela minha humilde concepção. Ela é uma empresa de segurança digital.

 

Voltando a questão dos vinis, reitero que é um produto intimamente ligado ao produtor, que ao gravá-lo bem, vai proporcionar aos ouvidos do usuário uma música agradável e perfeita.

Não estou defendendo aqui, em hipótese alguma, que a indústria volte ao formato vinil. Muito pelo contrário, ele faz parte do mapeamento do problema, que é a pirataria.

No formato mp3 isso não existe. Uma gravação é sempre “clone” da outra, portanto qualquer um pode gravar que vai ter o mesmo resultado.

 

Então, qual a solução?

 

Eu gostaria, amigo leitor, de ter essa solução, que estaria certamente patenteada e sendo nesse respectivo momento, vendida para todos os interessados. J

Mas o que se aproveita desse artigo é justamente que nós mapeamos o problema e como dizia o sábio, todo o problema só existe, quando todas condições para solucioná-lo estiverem presentes.

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